Tive amigos que morriam, amigos que partiam
Outros quebravam o seu rosto contra o tempo.
Odiei o que era fácil
Procurei-me na luz, no mar, no vento.
Sophia de Mello Breyner Andressen
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
«QUANDO EU DISSER...»
Quando eu disser não ouças,
quando eu fizer não vejas;
e, se eu estender as mãos,
não me estendas as tuas.
Aceita que eu exista como nos sonhos
que ninguém sonha,
as imagens malditas que no espelho
são noite irreflectida.
Talvez que então
da pura solidão
eu desça à vida.
1953
quando eu fizer não vejas;
e, se eu estender as mãos,
não me estendas as tuas.
Aceita que eu exista como nos sonhos
que ninguém sonha,
as imagens malditas que no espelho
são noite irreflectida.
Talvez que então
da pura solidão
eu desça à vida.
1953
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Vaga,no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando
O meu passado não volta
Não é o que estou chorando.
O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma,
E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.
Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.
Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.
Fernando Pessoa
Vai uma nuvem errando
O meu passado não volta
Não é o que estou chorando.
O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma,
E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.
Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.
Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.
Fernando Pessoa
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
POESIA DE JORGE DE SENA
NATAL
Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm?
Dos que não são cristãos?
Ou de quem tráz às costas
as cinzas de milhões?
Natal de paz agora
nesta terra de sangue?
Natal de liberdade
num mundo de oprimidos?
Natal de uma justiça
roubada sempre a todos?
Natal de ser-se igual
em ser-se concebido,
em de um ventre nascer-se,
em por de amor sofrer-se,
em de morte morrer-se
e de ser-se esquecido?
Natal de caridade,
quando a fome ainda mata?
Natal de qual esperança
num mundo todo bombas?
Natal de honesta fé,
com gente que é tradição,
vil ódio, mesquinhez,
e até Natal de amor?
Natal de quê? De quem?
Daqueles que não o têm,
ou dos que olhando ao longe
sonham de humana vida
um mundo que não há?
Ou dos que se torturam
e tortura são
na crença de que os homens
devem estender-se a mão?
Novembro de 1971
Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm?
Dos que não são cristãos?
Ou de quem tráz às costas
as cinzas de milhões?
Natal de paz agora
nesta terra de sangue?
Natal de liberdade
num mundo de oprimidos?
Natal de uma justiça
roubada sempre a todos?
Natal de ser-se igual
em ser-se concebido,
em de um ventre nascer-se,
em por de amor sofrer-se,
em de morte morrer-se
e de ser-se esquecido?
Natal de caridade,
quando a fome ainda mata?
Natal de qual esperança
num mundo todo bombas?
Natal de honesta fé,
com gente que é tradição,
vil ódio, mesquinhez,
e até Natal de amor?
Natal de quê? De quem?
Daqueles que não o têm,
ou dos que olhando ao longe
sonham de humana vida
um mundo que não há?
Ou dos que se torturam
e tortura são
na crença de que os homens
devem estender-se a mão?
Novembro de 1971
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
«QUEM MUITO VIU»
Quem muito viu, sofreu, passou trabalhos,
mágoas, humilhações, tristes surpresas;
e foi traído, e foi roubado, e foi
privado em extremo da justiça justa;
e andou terras e gentes, conheceu
os mundos e submundos; e viveu
dentro de si o amor de ter criado;
quem tudo leu e amou, quem tudo foi-
não sabe nada, nem triunfar lhe cabe
em sorte como a todos os que vivem.
Apenas não viver lhe dava tudo.
Inquieto e franco, altivo e carinhoso,
será sempre sem pátria. E a própria morte,
qundo o buscar, há-de encontrá-lo morto.
1961
Jorge de Sena
mágoas, humilhações, tristes surpresas;
e foi traído, e foi roubado, e foi
privado em extremo da justiça justa;
e andou terras e gentes, conheceu
os mundos e submundos; e viveu
dentro de si o amor de ter criado;
quem tudo leu e amou, quem tudo foi-
não sabe nada, nem triunfar lhe cabe
em sorte como a todos os que vivem.
Apenas não viver lhe dava tudo.
Inquieto e franco, altivo e carinhoso,
será sempre sem pátria. E a própria morte,
qundo o buscar, há-de encontrá-lo morto.
1961
Jorge de Sena
domingo, 27 de setembro de 2009
L´ETÉ AU PORTUGAL- JORGE DE SENA
Que esperar daqui? O que esta gente
não espera porque espera sem esperar?
O que só vida e morte
informes consentidas
em todos se devora e lhes devora as vidas?
O que quais de baratas e a baratas
é o pó de raiva com que se envenenam?
Emigram-se uns para as Europas
e voltam como se eram só mais ricos.
Outros se ficam envergando as opas
de lágrimas de gozo e sarapicos.
Nas serras nuas, nos baldios campos,
nas artes e mesteres que se esvaziam,
resta um relento de lampeiros lampos
espenejando as caudas com que se ataviam.
Que Portugal se espera em Portugal?
Que gente ainda há-de erguer-se desta gente?
Pagam-se impérios como o bem e o mal
-mas com que há-de pagar-se quem se agacha e mente?
Chatins engravatados, pelenguentas fúfias
passam de trombas de automóvel caro.
Soldados, prostitutas, tanto rapaz sem braços
ou sem pernas- e como cães sem faro
os pilhas poetas se versejam trúfias.
Velhos e novos, moribundos mortos,
se arrastam todos para o nada nulo.
Uns cantam, outros choram, mas tão tortos
que a mesquinhez tresanda ao mais singelo pulo.
Chicote? Bomba? Creolina? A liberdade?
É tarde, e estão contestes de tristeza,
sentados em seu mijo, alimentados
dos ossos e do sangue de quem não se vende.
(Na tarde que anoitece o entardecer nos prende).
Lisboa, Agosto 1971
in Versos e Alguma Prosa De
JORGE DE SENA
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
FELICIDADE
A felicidade sentava-se todos os dias no peitoril da janela.
Tinha feições de menino inconsolável.
Um menino impúbere
ainda sem amor para ninguém,
gostando apenas de demorar as mãos
ou de roçar lentamente o cabelo pelas faces humanas.
E, como menino que era
achava um grande mistério no seu próprio nome.
Jorge de Sena
Tinha feições de menino inconsolável.
Um menino impúbere
ainda sem amor para ninguém,
gostando apenas de demorar as mãos
ou de roçar lentamente o cabelo pelas faces humanas.
E, como menino que era
achava um grande mistério no seu próprio nome.
Jorge de Sena
terça-feira, 18 de agosto de 2009
TUDO O QUE FAÇO OU MEDITO
Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo quero o infinito.
Fazendo nada é verdade.
Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
Eu sou um mar de sargaços.
Fernando Pessoa
Fica sempre na metade.
Querendo quero o infinito.
Fazendo nada é verdade.
Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
Eu sou um mar de sargaços.
Fernando Pessoa
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
COM FÚRIA E RAIVA
Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergui porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra
Sophia de Mello Breyner Andresen- 1974
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergui porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra
Sophia de Mello Breyner Andresen- 1974
quarta-feira, 22 de julho de 2009
POESIA DE MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
QUANDO EU MORRER BATAM EM LATAS,
ROMPAM AOS SALTOS E AOS PINOTES,
FAÇAM ESTALAR NO AR CHICOTES,
CHAMEM PALHAÇOS E ACROBATAS.
QUE O MEU CAIXÃO VÁ SOBRE UM BURRO
AJAEZADO À ANDALUZA...
A UM MORTO NADA SE RECUSA,
E EU QUERO POR FORÇA IR DE BURRO!
domingo, 19 de julho de 2009
MAR PORTUGUÊS- FERNANDO PESSOA
Ó mar Salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem de passarr além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhor o céu.
in:"Mensagem" X.
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem de passarr além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhor o céu.
in:"Mensagem" X.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
INSCRIPTIONS I
I
We pass and dream. Earth smiles. Virtue is rare.
Age, duty, gods weigh on our conscious bliss.
Hope for the best and for the worst prepare.
That sum of purposed wisdom speaks in this.
Fernando Pessoa, in: Poemas Ingleses
We pass and dream. Earth smiles. Virtue is rare.
Age, duty, gods weigh on our conscious bliss.
Hope for the best and for the worst prepare.
That sum of purposed wisdom speaks in this.
Fernando Pessoa, in: Poemas Ingleses
segunda-feira, 6 de julho de 2009
FERNANDO PESSOA- POESIAS INÉDITAS
Como um vento na floresta
Minha emoção não tem fim.
Nada sou, nada me resta.
Não sei quem sou para mim.
E como entre os arvoredos
Há grandes sons de folhagem,
Também agito segredos
No fundo da minha imagem.
E o grande ruído do vento
Que as folhas cobrem de som
Despe-me do pensamento:
Sou ninguém, temo ser bom.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
É DIA DE S. JOÃO
QUADRAS AO GOSTO POPULAR
O vaso que dei àquela
Que não sabe quem lho deu
Há-de ser posto à janela
Sem ninguém saber que é meu.
O manjerico comprado
Não é melhor que o que dão.
Põe o manjerico de lado
E dá-me o teu coração.
Por um púcaro de barro
Bebe-se a água mais fria.
Quem tem tristezas não dorme,
Vela para ter alegria.
Fernando Pessoa
O vaso que dei àquela
Que não sabe quem lho deu
Há-de ser posto à janela
Sem ninguém saber que é meu.
O manjerico comprado
Não é melhor que o que dão.
Põe o manjerico de lado
E dá-me o teu coração.
Por um púcaro de barro
Bebe-se a água mais fria.
Quem tem tristezas não dorme,
Vela para ter alegria.
Fernando Pessoa
terça-feira, 23 de junho de 2009
MEANTIME
Far away, far away,
Far away from here...
There is no worry after joy
Or away from fear
Far away from her.
Her lips were not very red,
Nor her hair quite gold.
Her hands played with rings.
She did not let me hold
Her hands playing with gold.
She is somewhere past,
Far away from pain.
You can touch her not, nor hope
Enter her domain,
Neither love in vain.
Perhaps at some day beyond
Shadows and light
She will think of me and make
For me a delight,
Far away from sight.
Fernando Pessoa, in Poemas Ingleses
Far away from here...
There is no worry after joy
Or away from fear
Far away from her.
Her lips were not very red,
Nor her hair quite gold.
Her hands played with rings.
She did not let me hold
Her hands playing with gold.
She is somewhere past,
Far away from pain.
You can touch her not, nor hope
Enter her domain,
Neither love in vain.
Perhaps at some day beyond
Shadows and light
She will think of me and make
For me a delight,
Far away from sight.
Fernando Pessoa, in Poemas Ingleses
quinta-feira, 18 de junho de 2009
POESIA DE ANTERO DE QUENTAL
Terra de exílio! Aqui também as flores
Têm perfume e matiz; também vicejam
Rosas no prado, e pelo prado adejam
Zéfiros brandos suspirando amores:
Também cá tem a terra seus primores;
Pelos vales as fontes rumorejam;
Tem as moitas seus sopros, que bafejam,
E o céu tem sua luz e seus ardores.
Em toda a natureza há ardor e cantos,
Em toda a natureza Deus se encerra...
E contudo esta é a causa dos meus prantos!
Eu sou bem como a flor que não descerra
Em clima alheio. Que importa teus encantos?
Não és, terra de exílio, a minha terra.
Têm perfume e matiz; também vicejam
Rosas no prado, e pelo prado adejam
Zéfiros brandos suspirando amores:
Também cá tem a terra seus primores;
Pelos vales as fontes rumorejam;
Tem as moitas seus sopros, que bafejam,
E o céu tem sua luz e seus ardores.
Em toda a natureza há ardor e cantos,
Em toda a natureza Deus se encerra...
E contudo esta é a causa dos meus prantos!
Eu sou bem como a flor que não descerra
Em clima alheio. Que importa teus encantos?
Não és, terra de exílio, a minha terra.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
POESIA DE ÁLVARO DE CAMPOS
Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravia às vezes ao sair
Das próprias sensações que recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei-de concluir
As sensações que ao meu pesar concebo.
Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei
Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo antes as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.
ÁLVARO DE CAMPOS
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravia às vezes ao sair
Das próprias sensações que recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei-de concluir
As sensações que ao meu pesar concebo.
Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei
Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo antes as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.
ÁLVARO DE CAMPOS
domingo, 7 de junho de 2009
SÍSIFO- MIGUEL TORGA
Recomeça....
Se puderes
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses
De nenhum futuro queiras só metade.
E, nunca saciado
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
Sempre a sonhar
Acordado,
O logro da aventura.
És homem não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde com lucidez, te reconheces.
Se puderes
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses
De nenhum futuro queiras só metade.
E, nunca saciado
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
Sempre a sonhar
Acordado,
O logro da aventura.
És homem não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde com lucidez, te reconheces.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
DIA 28 DE MAIO
COM OS MORTOS
Os que amei, onde estão? idos, dispersos,
Arrastados no giro dos tufões,
Levados, como um sonho, entre visões,
Na fuga, no ruir dos universos...
E eu mesmo, com os pés também imersos
Na corrente e à mercê dos turbilhões,
Só vejo espuma lívida, em cachões,
E entre ela, aqui e ali, vultos submersos...
Mas se paro um momento, se consigo
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado
De novo, esses que amei vivem comigo,
Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
da comunhão ideal do eterno Bem.
ANTERO DE QUENTAL
Os que amei, onde estão? idos, dispersos,
Arrastados no giro dos tufões,
Levados, como um sonho, entre visões,
Na fuga, no ruir dos universos...
E eu mesmo, com os pés também imersos
Na corrente e à mercê dos turbilhões,
Só vejo espuma lívida, em cachões,
E entre ela, aqui e ali, vultos submersos...
Mas se paro um momento, se consigo
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado
De novo, esses que amei vivem comigo,
Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
da comunhão ideal do eterno Bem.
ANTERO DE QUENTAL
domingo, 17 de maio de 2009
DREI TRÄUME
Mich däucht, ich träumte von Blätterfall,
Von weiten Wäldern und dunklen Seen,
Von traurige Worte Wiederhall-
Doch konnt' ich ihren Sinn nicht verstehen.
Mich däucht, ich träumte von Sternenfall,
Von blasser Augen weinenden Flehen,
Von eines Lächelns Wiederhall-
Doch konnt' ich seinen Sinn nicht verstehen.
Wie Bläterfall, wie Sternenfall,
So sah ich mich ewig kommen und gehen,
Eines Traumes unsterblicher Wiederhall-
Doch konnt' ich seinen Sinn nicht verstehen.
Georg Trakl
TRÊS SONHOS
Vi-me num sonho de folhas caindo,
De lagos escuros num bosque perdido,
De tristes palavras ecoando-
Mas não sabia enterder-lhe o sentido.
Vi-me num sonho de estrelas caindo,
De preces chorosas num olhar ferido,
De um soriso que vinha ecoando-
Mas não sabia entender-lhe o sentido.
Como estrelas caindo, folha tombando,
Assim me via num vai-vem perdido,
Eternamente esse sonho ecoando-
Mas não sabia entender-lhe o sentido
(Georg Trakl)
(Tradução de João Barrento)
Von weiten Wäldern und dunklen Seen,
Von traurige Worte Wiederhall-
Doch konnt' ich ihren Sinn nicht verstehen.
Mich däucht, ich träumte von Sternenfall,
Von blasser Augen weinenden Flehen,
Von eines Lächelns Wiederhall-
Doch konnt' ich seinen Sinn nicht verstehen.
Wie Bläterfall, wie Sternenfall,
So sah ich mich ewig kommen und gehen,
Eines Traumes unsterblicher Wiederhall-
Doch konnt' ich seinen Sinn nicht verstehen.
Georg Trakl
TRÊS SONHOS
Vi-me num sonho de folhas caindo,
De lagos escuros num bosque perdido,
De tristes palavras ecoando-
Mas não sabia enterder-lhe o sentido.
Vi-me num sonho de estrelas caindo,
De preces chorosas num olhar ferido,
De um soriso que vinha ecoando-
Mas não sabia entender-lhe o sentido.
Como estrelas caindo, folha tombando,
Assim me via num vai-vem perdido,
Eternamente esse sonho ecoando-
Mas não sabia entender-lhe o sentido
(Georg Trakl)
(Tradução de João Barrento)
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