
domingo, 31 de maio de 2009
A INTERPRETAÇÃO DA OBRA DE ARTE
"O que é importante hoje é recuperar os nossos sentidos. Temos de aprender a ver mais, a ouvir mais, a sentir mais. A nossa tarefa não é descobrir numa obra de arte o máximo de conteúdo, e ainda menos espremer mais conteúdo de uma obra do que aquele que já lá está. A nossa tarefa é reduzir o conteúdo de modo a podermos ver realmente o que lá está."
Na maior parte das situações na época moderna, a interpretação corresponde à recusa filistina de deixar em paz a obra de arte. A verdadeira arte tem a propriedade de nos deixar nervosos. Ao reduzir ao seu conteúdo para depois interpretar esse conteúdo, é o mesmo que domesticar a obra de arte. A interpretação torna a arte dócil, conformada."
"Mas, naturalmente, a arte permanece ligada aos sentidos. Assim como não se pode fazer flutuar a cor no espaço (o pintor precisa de um qualquer tipo de suporte, como a tela, ainda que neutro e sem textura) também não se pode ter uma obra de arte que não actue sobre os sentidos humanos. Mas é importante compreender que a consciência sensorial humana não tem apenas uma biologia, mas também uma história específica, com cada cultura a privilegiar a tónica em certos sentidos e inibindo outros. ( A mesma coisa vale para a gama de emoções humanas primárias). É aqui que ( entre outras coisas) entra em jogo a arte, é essa a razão por que descobrimos na arte interessante da nossa época um tal sentimento de angústia e de crise, por mais alegre, abstracta e ostensivamente neutra do ponto de vista ético que possa parecer.
Pode dizer-se que o homem ocidental tem sofrido uma anestesia maciça dos sentidos( concomitantemente do processo a que Max Weber chama «racionalização burocrática») pelo menos desde a revolução industrial,) com a arte moderna a funcionar como uma espécie de terapia de choque, confundindo e descerrando os nossos sentidos simultaneamente. "
SUSAN SONTAG
in "Contra a Interpretação e outros Ensaios."
Na maior parte das situações na época moderna, a interpretação corresponde à recusa filistina de deixar em paz a obra de arte. A verdadeira arte tem a propriedade de nos deixar nervosos. Ao reduzir ao seu conteúdo para depois interpretar esse conteúdo, é o mesmo que domesticar a obra de arte. A interpretação torna a arte dócil, conformada."
"Mas, naturalmente, a arte permanece ligada aos sentidos. Assim como não se pode fazer flutuar a cor no espaço (o pintor precisa de um qualquer tipo de suporte, como a tela, ainda que neutro e sem textura) também não se pode ter uma obra de arte que não actue sobre os sentidos humanos. Mas é importante compreender que a consciência sensorial humana não tem apenas uma biologia, mas também uma história específica, com cada cultura a privilegiar a tónica em certos sentidos e inibindo outros. ( A mesma coisa vale para a gama de emoções humanas primárias). É aqui que ( entre outras coisas) entra em jogo a arte, é essa a razão por que descobrimos na arte interessante da nossa época um tal sentimento de angústia e de crise, por mais alegre, abstracta e ostensivamente neutra do ponto de vista ético que possa parecer.
Pode dizer-se que o homem ocidental tem sofrido uma anestesia maciça dos sentidos( concomitantemente do processo a que Max Weber chama «racionalização burocrática») pelo menos desde a revolução industrial,) com a arte moderna a funcionar como uma espécie de terapia de choque, confundindo e descerrando os nossos sentidos simultaneamente. "
SUSAN SONTAG
in "Contra a Interpretação e outros Ensaios."
sábado, 30 de maio de 2009
CONSIDERAÇÕES SOBRE A OBRA DE ARTE
"O artista é o criador de coisas belas.
O obejectivo da arte é revelar a arte e esconder o artista.
Quando os críticos discordam, está o artista consigo próprio."
Oscar Wilde, in O RETRATO DE DORIAN GRAY (prefácio)
O obejectivo da arte é revelar a arte e esconder o artista.
Quando os críticos discordam, está o artista consigo próprio."
Oscar Wilde, in O RETRATO DE DORIAN GRAY (prefácio)
sexta-feira, 29 de maio de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
DIA 28 DE MAIO
COM OS MORTOS
Os que amei, onde estão? idos, dispersos,
Arrastados no giro dos tufões,
Levados, como um sonho, entre visões,
Na fuga, no ruir dos universos...
E eu mesmo, com os pés também imersos
Na corrente e à mercê dos turbilhões,
Só vejo espuma lívida, em cachões,
E entre ela, aqui e ali, vultos submersos...
Mas se paro um momento, se consigo
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado
De novo, esses que amei vivem comigo,
Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
da comunhão ideal do eterno Bem.
ANTERO DE QUENTAL
Os que amei, onde estão? idos, dispersos,
Arrastados no giro dos tufões,
Levados, como um sonho, entre visões,
Na fuga, no ruir dos universos...
E eu mesmo, com os pés também imersos
Na corrente e à mercê dos turbilhões,
Só vejo espuma lívida, em cachões,
E entre ela, aqui e ali, vultos submersos...
Mas se paro um momento, se consigo
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado
De novo, esses que amei vivem comigo,
Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
da comunhão ideal do eterno Bem.
ANTERO DE QUENTAL
quarta-feira, 27 de maio de 2009
MORREU O REX
Eu gostava do Rex, era um cão amigo, sempre foi um cão triste, não sei porquê, acho que foi maltratado quando era cachoro, quando veio cá para casa já tinha 6 ou 7 meses, mas tinha sempre um ar de triste, apesar de ser muito bem tratado por nós. O dono era para ele a razão de viver. Gostava demais do António. Adeus Rex
INTERVALO DOLOROSO
Sonhar, para quê?
Que fiz de mim? Nada.
se espiritualizar em Noite, se *
Estátua Interior sem contornos, Sonho Exterior sem ser-sonhado.
Bernardo Soares
Que fiz de mim? Nada.
se espiritualizar em Noite, se *
Estátua Interior sem contornos, Sonho Exterior sem ser-sonhado.
Bernardo Soares
segunda-feira, 25 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
quarta-feira, 20 de maio de 2009
RELAÇÕES DE SOLIDÃO
" Há poucos indivíduos a quem é dado contemplar uma obra de arte como espectadores tranquilos; mas é difícil encontrar um que seja capaz ou tenha vontade,(...) de permanecer simples observador. Sem se dar conta disso, torna-se crítico, procurando mostrar a sua força de juízo, exercer o seu humor e avaliar a sua própria pessoa. (...) as propriedades naturais do indivíduo não tardam a impôr os seus direitos- vaidade e pedantice, desejo de ser superior aos seus próprios olhos e aos olhos dos outros- de tal modo que depressa estará mais decidido a desvelar as fraquezas de uma obra do que a aceitar os seus lados positivos. "
Arthur Schnitzler
Arthur Schnitzler
segunda-feira, 18 de maio de 2009
RECEITA DO BOLO DE LARANJA
Ingredientes:
1 laranja inteira com casca, mas sem pevides
3 ovos
2 chávenas de açúcar
1/2 chávena de óleo becel
2 chávenas de farinha com fermento
Preparação:
Por no copo misturador poe esta ordem:
a laranja cortada aos quartos
os 3 ovos
as 2 chávenas de açúcar
e a 1/2 chávena de óleo
Deixar trabalhar o copo misturador enquanto se unta a forma
mais ou menos 3 minutos
Retirar o preparado para um recipiente e juntar-lha a farinha.
Colocar numa forma sem buraco e levar ao forno (175º), durante 25 a 30 minutos .
Decorar a gosto
1 laranja inteira com casca, mas sem pevides
3 ovos
2 chávenas de açúcar
1/2 chávena de óleo becel
2 chávenas de farinha com fermento
Preparação:
Por no copo misturador poe esta ordem:
a laranja cortada aos quartos
os 3 ovos
as 2 chávenas de açúcar
e a 1/2 chávena de óleo
Deixar trabalhar o copo misturador enquanto se unta a forma
mais ou menos 3 minutos
Retirar o preparado para um recipiente e juntar-lha a farinha.
Colocar numa forma sem buraco e levar ao forno (175º), durante 25 a 30 minutos .
Decorar a gosto
domingo, 17 de maio de 2009
DREI TRÄUME
Mich däucht, ich träumte von Blätterfall,
Von weiten Wäldern und dunklen Seen,
Von traurige Worte Wiederhall-
Doch konnt' ich ihren Sinn nicht verstehen.
Mich däucht, ich träumte von Sternenfall,
Von blasser Augen weinenden Flehen,
Von eines Lächelns Wiederhall-
Doch konnt' ich seinen Sinn nicht verstehen.
Wie Bläterfall, wie Sternenfall,
So sah ich mich ewig kommen und gehen,
Eines Traumes unsterblicher Wiederhall-
Doch konnt' ich seinen Sinn nicht verstehen.
Georg Trakl
TRÊS SONHOS
Vi-me num sonho de folhas caindo,
De lagos escuros num bosque perdido,
De tristes palavras ecoando-
Mas não sabia enterder-lhe o sentido.
Vi-me num sonho de estrelas caindo,
De preces chorosas num olhar ferido,
De um soriso que vinha ecoando-
Mas não sabia entender-lhe o sentido.
Como estrelas caindo, folha tombando,
Assim me via num vai-vem perdido,
Eternamente esse sonho ecoando-
Mas não sabia entender-lhe o sentido
(Georg Trakl)
(Tradução de João Barrento)
Von weiten Wäldern und dunklen Seen,
Von traurige Worte Wiederhall-
Doch konnt' ich ihren Sinn nicht verstehen.
Mich däucht, ich träumte von Sternenfall,
Von blasser Augen weinenden Flehen,
Von eines Lächelns Wiederhall-
Doch konnt' ich seinen Sinn nicht verstehen.
Wie Bläterfall, wie Sternenfall,
So sah ich mich ewig kommen und gehen,
Eines Traumes unsterblicher Wiederhall-
Doch konnt' ich seinen Sinn nicht verstehen.
Georg Trakl
TRÊS SONHOS
Vi-me num sonho de folhas caindo,
De lagos escuros num bosque perdido,
De tristes palavras ecoando-
Mas não sabia enterder-lhe o sentido.
Vi-me num sonho de estrelas caindo,
De preces chorosas num olhar ferido,
De um soriso que vinha ecoando-
Mas não sabia entender-lhe o sentido.
Como estrelas caindo, folha tombando,
Assim me via num vai-vem perdido,
Eternamente esse sonho ecoando-
Mas não sabia entender-lhe o sentido
(Georg Trakl)
(Tradução de João Barrento)
sábado, 16 de maio de 2009
PRANTO PELO DIA DE HOJE
Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruido
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas
Sophia de Mello Breyner Andresen
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruido
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas
Sophia de Mello Breyner Andresen
sexta-feira, 15 de maio de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
A PINTURA DE JAN VERMEER
Na pintura de Vermeer praticamente não há narrativa. Aparecem figuras isoladas, geralmente de mulheres, que se ocupam de tarefas domésticas quotidianas. As suas figuras parecem viver num mundo intemporal. Parece que estão presas a um feitiço mágico. Por exemplo, na sua pintura "A carta" ficamos quase deslumbrados, é como se um véu nos tivesse sido tirado dos olhos e uma porta se abrisse. Vermeer apresenta-nos cenas de um mundo quotidiano cheio de brilho e belo.
Vermer transforma a realidade "banal" num mosaico colorido. Tudo está alinhado, não há espaços vazios indefinidos. O mundo quotidiana que à primeira vista seria um mundo banal, brilha com uma frescura inesperada.
Vermer transforma a realidade "banal" num mosaico colorido. Tudo está alinhado, não há espaços vazios indefinidos. O mundo quotidiana que à primeira vista seria um mundo banal, brilha com uma frescura inesperada.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
CANDEEIRO EM CROCHÉ-PONTO SEGREDO
CADEIRA DA CRISE 2
terça-feira, 12 de maio de 2009
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